O CEPP com
seus membros e aderentes reuniu-se hoje à tarde com Marcelo Veras, psicanalista,
Diretor da Escola Brasileira de Psicanálise, Membro da Associação Mundial de
Psicanálise e Membro da Escola Brasileira de Psicanálise. Durante o encontro,
Marcelo discorreu sobre sua experiência institucional como psicanalista. Em
sequência falou sobre a formação do analista como uma formação permanente
pautada na análise pessoal, estudo teórico e supervisão, sendo essas as bases
para uma formação sólida. Momento
oportuno de debate e enriquecimento sobre a psicanálise com a passagem do Marcelo
por Teresina.
sábado, 27 de julho de 2013
Marcelo Veras em Teresina
Sábado dia 27/07/2013 às 17h o CEPP contará com a presença de Marcelo Veras, psicanalista da Associação Mundial de Psicanálise -AMP, Membro da Escola Brasileira de Psicanálise - Seção BA e atual Diretor da Escola Brasileira de Psicanálise. Em sua reunião com os membros e aderentes do CEPP, Marcelo falará sobre a formação do analista e a da política da Escola.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
ANGÚSTIA, MEDO E REAL NA CLINICA COM CRIANÇAS
DATA: 07.06.2013
HORÁRIO: 19H
LOCAL: Auditório Noé Mendes – CCHL / UFPI
Atividade isenta
MINISTRANTE: CRISTINA VIDIGAL, psicanalista, Membro da
Associação Mundial de Psicanálise – AMP e Membro da Escola Brasileira de
Psicanálise – EBP/seção MG
CURSO: CLÍNICA COM CRIANÇA E ADOLESCENTE
DATA: 08/06/2013
HORÁRIO: 8h às 12h – 15h às 18h
LOCAL: Av. Dom Severino, 1024 –
Edf. Afrânio Nunes – sala 06 – Fátima
Inscrições: cepp-teresina.blogspot.com
Membros e Aderentes: R$150,00
Estudante de Graduação: R$100,00
Profissional: R$120,00
Vagas
Limitadas
FORMAS DE PAGAMENTOS: depósito bancário direto no caixa
Banco do Brasil
Agência: 4708-2 Conta Corrente: 7.671-6
Em nome de: Maria Lídia M. Noronha Pessoa
ATENÇÃO:
Enviar ficha de inscrição junto com fotocópia do comprovante de depósito para o e-mail: cepp.teresina@gmail.com
Nos casos em que seja necessária comprovação formal dos alunos de graduação, a inscrição só será confirmada após o envio da comprovação da graduação junto com a ficha de inscrição;
Serão aceitas somente inscrições com depósito bancário direto no caixa e concluída com o envio para o e-mail do CEPP, constando ficha de inscrição e comprovante de pagamento.
FICHA DE INSCRIÇÃO:
CURSO: CLÍNICA COM CRIANÇA E ADOLESCENTE
Nome completo:
_____________________________________
Endereço:__________________________________________
CEP: _______________Cidade: _______________UF_____
Telefones:_______________celular:__________________
E-mail:___________________________________________
Profissão:_______________________________________
Categoria:
( ) Membros e Aderentes
( ) Aluno da Graduação
( ) Profissional
Endereço:__________________________________________
CEP: _______________Cidade: _______________UF_____
Telefones:_______________celular:__________________
E-mail:___________________________________________
Profissão:_______________________________________
Categoria:
( ) Membros e Aderentes
( ) Aluno da Graduação
( ) Profissional
sábado, 11 de maio de 2013
Jacques Lacan O Seminário 6 O desejo e sua interpretação
O que nos mostra Lacan? Que o desejo não é uma função biológica; que não
está articulado a um objeto natural; que seu objeto é fantasístico. Por isso, o
desejo é extravagante. Ele é fugidio a quem se propõe a assenhoreá-lo. Ele os
engana. Mas também, se não é reconhecido, fabrica o sintoma. Em uma análise,
trata-se de interpretar, quer dizer ler no sintoma a mensagem de desejo que ele
contém.
Se o desejo desbarata, em
contrapartida, ele suscita a invenção de artifícios que fazem o papel de
bússola. Uma espécie animal tem sua bússola natural, que é única. Na espécie
humana, as bússolas são múltiplas, são montagens significantes, discursos.
Dizem o que é preciso fazer: como pensar, como gozar, como se reproduzir. Porém
a fantasia de cada um permanece irredutível aos ideais coletivos.
Até uma época recente, nossas
bússolas, diversas como são entre si, indicavam um mesmo norte: o Pai.
Acreditava-se em um patriarcado antropológico e invariante. Seu declínio foi
acelerado com a igualdade de condições, a ascensão do poder do capitalismo, o
domínio da tecnologia.
Estamos na fase de saída da era do
Pai.
Outro discurso está em vias de
suplantar o anterior. A inovação no lugar da tradição. Mais do que a
hierarquia, a rede. O atrativo do advir substitui o peso do passado. O feminino
sobrepõe o viril. Ali onde tínhamos uma ordem imutável, os fluxos
transformacionais franqueiam incessantemente os limites.
Freud é da era do Pai. Ele trabalhou
muito para salvá-lo. A Igreja acabou se dando conta. Lacan seguiu a via aberta
por Freud, mas ela o levou a formalizar que o Pai é um sintoma. Ele o mostra
aqui a partir do exemplo de Hamlet.
O que se guardou de Lacan – a
formalização do Édipo, o foco colocado no Nome-do-Pai – foi somente seu ponto
de partida. O Seminário 6 já o reformula: o Édipo não é mais a única solução do
desejo, é apenas sua forma padronizada; esta aqui é patogênica, não esgota o
destino do desejo. De onde vem o elogio da perversão que termina o volume.
Lacan lhe confere o valor de uma rebelião contra as identificações que garantem
a manutenção da rotina social.
Este Seminário anuncia “os rearranjos
dos conformismos anteriormente instaurados, até sua ruptura”. Nós estamos
nisso. Lacan fala de nós.
Jacques-Allain Miller
Campo
Freudiano
Coleção fundada por Jacques Lacan
Capa: Alegoria com Vênus
e Cupido, Bronzino (v.1545), óleo sobre madeira.
Londres, National Gallery. ÓGetty Images.
domingo, 5 de maio de 2013
NÃO AGUENTAMOS MAIS O PAI
Jacques-Alain
Miller lê
Une semaine de
vacances
Fragmentos selecionados e
estabelecidos por Christiane Alberti da intervenção de J.-A. Miller, no sábado,
20 de abril, por ocasião das conversações, leituras e projeções animadas por Christine
Angot no Teatro Sorano de
Toulouse, de 18 a 21 abril de 2013. O evento foi filmado e será
retransmitido pela La Règle du jeu.
«Une
semaine de vacances1 mostra que não
aguentamos mais o pai. Li como um apólogo para os dias atuais, um apólogo de
nosso ‘saco cheio’ do pai. Ele nos fez entender porque é
preciso sair do reinado do pai. O pai, esta ferida, teve seu tempo e hoje é
obsoleto. O pai incestuoso é um personagem bem conhecido da literatura, no
entanto, aqui se trata de outra coisa: é o romance do pai enquanto impossível
de suportar. A este respeito, ele é real, um efeito de sentido paradoxalmente
real. «Ela» (pois neste romance os protagonistas são designados somente pelos
pronomes ele e ela) gravita em torno deste real, ela é totalmente voltada para
ele. O girassol é heliotrópico, ela é mostrada como paternotrope, até chegar à
eclipse do pai ao final do romance. É o romance do que Lacan chamou de a père-version, o tropismo ao pai .
Como se libertar do pai? É possível livrar-se dele? Esta é a questão constante
de Lacan. Seu ponto de partida foi o Nome-do-pai, colocado como
função, do Seminário III ao Seminário IV, para dar conta das psicoses,
neuroses e perversões, mas não do que seria normal. Desde o Seminário VI,
percebe-se que o conceito de desejo desloca as linhas do Édipo. Este Seminário
que data de meio século – O desejo e sua
interpretação2, é contemporâneo de Une semaine de vacances.
O desejo tem não nada a ver com instinto, guia da vida infalível, que vai
direto ao ponto, que conduz o sujeito em direção ao objeto de sua necessidade,
que convém à sua vida e à preservação de sua espécie. Mesmo se este busca seu
parceiro em sua realidade comum, o objeto de desejo se situa na fantasia de
cada um. O Seminário busca explicitar a dimensão do fantasia: neste nível, há,
entre o sujeito e o objeto um ou bem, ou bem. No nível do que
se considera conhecimento, os dois, sujeito e objeto são adaptados um ao outro,
há cooptação, coincidência, até mesmo fusão intuitiva dos dois. Na fantasia,
por outro lado, não há este acordo, mas uma falha específica do sujeito diante
do objeto de sua fascinação – um certo perder o fôlego. Lacan fala de fading do sujeito, do momento em que este não pode se nomear. Isto é
representado no romance pelo fato de que as pessoas não são nomeadas, ficam
anônimas, e as qualidades do pai e da filha são expressas de forma furtiva. Há
somente a famosa «diferença sexual».
Há, no Seminário, uma frase que diz: «O pudor é a forma nobre do que se
apresenta, no sintoma, como vergonha e nojo», compreendamos que o pudor é a
barreira que nos impede quando estamos a caminho do real. Une semaine de vacances vai além da
barreira do pudor e avança na zona onde habitualmente opera o sintoma através
da vergonha e do nojo.
Aí, encontramos um pai, o Ele do romance, que odeia o desejo: ele se ocupa do gozo. Na medida em que
provoca seu eclipse ao final: Ela lhe conta um sonho, é uma mensagem de desejo a ser decifrada, e
imediatamente, seu humor muda: Ele fica indignado, chateado, furioso. Ele se vai, fica amuado. O desejo,
sob a forma do sonho, vem estragar a fixidez de seu gozo. Fixidez que suporta a
repetição, que Camille Laurens explora seus poderes alhures. Aqui, o gozo
retorna como um cântico insistente. A clivagem entre desejo e gozo se torna
palpável, sendo o gozo uma bússola infalível, diferentemente do desejo.
O pai manifesta sua vontade de transmitir um ideal, ele brinca de supereu. Os
limites do pudor são franqueados e, ao mesmo tempo, restituídos de forma
derrisória no nível do vocabulário – o pai cumpre a função de tudo bem dizer,
fazendo disto a perversão.
Estamos nos tempos de sair da era do pai. Se há um livro que me tenha dado esta
sensação de forma mais viva, este é Une semaine de
vacances. É emblemático do que estamos vivendo.
Freud salvou o pai, enquanto que, segundo Lacan, o pai é para ser interpretado
em termos da perversão. Vemos, no Seminário VI, que o Édipo não é a única
solução do desejo: esta é a sua forma padronizada, e sua prisão. O Édipo é
patogênico.
Une semaine de vacances reatualiza este avanço do Seminário
de Lacan. O desejo de Ela se emancipa graças ao mutismo e à raiva do pai. Ao final do romance, ela
se encontra numa estação onde o único elemento familiar, heimlich, é sua mala. O texto se encerra com estas frases: «Ela o olha. E ela
lhe fala». A mala substitui o pai, como objeto pequeno a. É aí onde agora está seu endereço, aí onde se aloja o sujeito suposto
saber. Será sua mala que lhe interpretará seu sonho.
1Angot Ch., Une semaine de vacances, Flammarion, 2012.
2Lacan
J., Le
Séminaire, livre VI, Le
désir et son interprétation, texte établi
par Miller J.-A., La Martinière & Le Champ freudien, à paraître en juin
2013.
Os traumas na cura analítica – Bons e maus encontros com o real
Há uma teoria espontânea do trauma. O que não podia acontecer,
aconteceu. Impensável! Inimaginável! Insuportável! Demais.
“Perco o controle” – Diante do impossível realizado o sujeito está
perdido, não é mais o que ele era, nem para si nem para os outros. Nenhuma
resposta vale. O sintoma explode.
A medicina, apoiada na ciência moderna, busca então uma solução – a
pílula do dia seguinte, a preparação antecipada, a verbalização imediata. É a
resposta pelo apagamento da memória – que tudo possa voltar a ser o que era
antes e que os homens voltem a se ocupar dos seus afazeres tal como o
imperativo do laço social exige. Não aconteceu porque não deveria ter
acontecido. A questão surge: como viver depois do trauma sem o trauma?
Não se tira nenhuma lição do trauma.
Como o trauma faz parte da existência e não pode ser eliminado, a
psicanálise opta por uma estratégia diferente, mais pragmática. Nenhuma
alteração da memória, nenhum apagamento, nenhuma contra programação, nenhuma
catarse, poderão eliminar o real. Mesmo supondo que tais soluções sejam
possíveis, os danos colaterais seriam grandes demais e inaceitáveis do ponto do
visto ético.
Então, o que propõe a psicanalise? Ela considera que o trauma
aconteceu, que ele modificou o sujeito e que ele se apresenta como avesso de um
ato. E por isso que ela escolhe tirar do trauma um ensinamento. Desde a sua
origem, a psicanálise, os analistas, Freud antes de todos, tiveram que
reconhecer uma evidencia clínica: a realidade psíquica não coincide de modo
algum com a realidade objetiva, seja ela fatual ou do discurso.
Mais ainda, a noção de trauma exige uma nova definição do fato e do
evento que seja congruente com o sujeito do inconsciente. Lembremo-nos do
celebre exemplo citado na Interpretação dos
Sonhos revisto por Lacan.
Um pai perdeu seu filho, perda cruel, trauma no sentido comum. Exausto,
ele pediu a uma pessoa familiar que se ocupasse de velar alguns instantes o
corpo do filho amado. Mas, por sua vez, esse homem adormeceu ao lado da criança
que, ela, dormia o seu sono derradeiro. De repente, um barulho: o fogo começou
a queimar o corpo do filho amado. Esta é a realidade. Como é que o inconsciente
responde? Por um pesadelo. A criança se aproxima e murmura “Pai, não vês que
estou queimando?”. Onde está o trauma? A impossível voz do morto, eis o que
verdadeiramente desperta o pai.
Uma imagem indelével, a erupção de um terror, a exacerbação de uma
emoção, uma palavra eternamente inarticulável, são múltiplas as referencias às
feridas que não se apagam, “perdas imaginarias no ponto mais cruel do objeto”.
A expressão é de Lacan que celebra, na perda, a relação do trauma aos objetos,
deixando o sujeito desnorteado, em um mundo que perdeu o sentido.
Aqui inicia-se o tratamento, no intervalo da fratura do sujeito, da
perfuração da sua realidade. Sobre estes pontos de fixação, a maquina de
produzir sentido se precipita e se esgota, confrontada ao que cegamente, o
inconsciente real, não cessa de repetir.
Todo mundo delira, isto é, dá seu próprio sentido, porque todo mundo é traumatizado.
Mas o delírio não liberta do trauma. Quando isso se repete, em quais condições um eu pode advir?
À universalização do delírio dos Uns-sozinhos, responde a generalização
do trauma. O mal estar correlacionado ao sintoma cedeu seu lugar ao trauma
relacionado à rejeição da marca, na medida em que o simbólico perde seu poder
diante do real. A utopia dominante não é mais o recurso ao pai, mas ao risco
zero com a docilidade geral que ele implica. Porém, não se leva ai em conta
essa “coisa obscura” que está em nós. Cabe à psicanálise atribuir-lhe seu justo
lugar, sempre singular, sempre contingente.
Christiane Alberti, Marie-Hélène Brousse
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