terça-feira, 7 de dezembro de 2010

5º Encontro Americano / XVII encontro internacional do campo freudiano

A SAÚDE PARA TODOS, NÃO SEM A LOUCURA DE CADA UM:PERSPECTIVAS DA PSICANÁLISE
11 e 12 de Junho 2011 - Rio de Janeiro



Informações e inscrições:http://www.ebp.org.br/enapol

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Psicanálise na TV Cultura

Neste mês de novembro, a TV Cultura exibirá a série Invenção do Contemporâneo "A psicanálise do Século XXI: Lacan para desesperados da crise", promovida pela CPFL Cultura, sob a curadoria de Jorge Forbes, a partir do dia 16, depois do Roda Viva:

16/11 - 00:30h, de segunda para terça-feira - Joel Birman - Novas subjetivações e o mal estar na contemporaneidade.

23/11 – 00:30h, de segunda para terça-feira - Alain Grosrichard – Mal estar na globalização: Lacan e as luzes.

30/11 – 00:30h, de segunda para terça-feira - Jorge Forbes - Jacques Lacan e a psicanálise do Século XXI.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Alice e o buraco no inconsciente

Cristina Vidigal

Texto publicado no boletim da Rede CEREDA que qual trabalha com criança no discurso analítico. Os artigos são um aquecimento para o encontro que se realizará no dia 18/11 em São Paulo.

Há uma criança numa tarde quente e preguiçosa e, no entredormir, algo estranho, mas familiar, atravessa. Um coelho com esse detalhe singular: ele fala! Na verdade, Lewis Carroll é ainda mais sutil, Alice não estranha que o coelho fale, mas que ele tire um relógio do bolso do colete. Aí realmente temos o mais familiar (na época) tomado como o mais estranho, e vice versa, tal como no trabalho do sonho que sabe ser a via régia do inconsciente.
Enfim, o coelho fala e, como todos os coelhos, ele corre. Corre como a língua e ele não tem tempo, mesmo porque ninguém tem. Seres mortais, e mais do que isso, falasseres, seres que falam e sabem sobre a morte e estão no entrever do vórtex do sexual que começa a assumir uma significação que engole todas as outras, isto é, a significação fálica, como diz Lacan no Seminário RSI.
Então, seguir isso, como toda criança ao mesmo tempo curiosa e preguiçosa, significa se deparar com um buraco, como tal e como toca. Não recuar implica cair e atravessar esse buraco, com um recurso tão travesso como é a linguagem. Ir usando esse recurso muitas vezes implica em prolongar essa travessia para que um tecido seja construído, um tecido que contenha essa queda. Ir produzindo esse percurso é ir forrando-o com um tecido que é feito/efeito de língua. Daí as produções do inconsciente que aparecem como imagens, mas que são trocadilhos, repetições, contradições que coexistem, operações em ritornelo sem saída, um enigma multidimensional com a ossatura de palavras cruzadas, mas que em vez de estarem no miolo, só revestem o vivo, o que pulsa, o que jorra, e faz mais buraco e segue... e é preciso que o próprio sujeito vá operando com tudo isso.

Inconsciente e sintoma
O interessante de pensarmos a idéia de um buraco no inconsciente é tomarmos a noção de buraco, por um lado, como uma noção lógica e, por outro, como uma noção tópica. O que vemos em Alice são buracos que produzem passagens, para cenas e lugares por vezes inteiramente diferentes, com lógicas, sensações e problemas diferentes. Então, podemos ter o campo do real que acolhe o sintoma, e o campo da linguagem, que é condição do inconsciente. E, entre eles, uma passagem.
Quando falamos de um buraco no inconsciente podemos trabalhar campos heterogêneos, mas que podem manter entre si certa consistência, ou até mesmo certa coerência. Lacan nos diz que inconsciente e sintoma têm coerência e consistência entre si, mas que um não se reduz ao outro.
“O sintoma não é definível de outro modo que da maneira em que cada um goza do inconsciente enquanto o inconsciente o determina”[4]. A noção de que sintoma e inconsciente são heterogêneos, mas podem manter laços de consistência, permeia o campo de idéias de um Lacan tardio que não indica para o falasser outra saída que não aquela de encontrar uma forma melhor de lidar com o impossível do seu próprio gozo.
A idéia de Lacan é que o sintoma é uma saída, uma construção, pois na medida em que o sujeito fala, ele abre a possibilidade de não estar mais preso ao peso de um único referente – este referente de peso, sabemos, é o falo.
O trabalho de se contar uma história, de articular um campo de ficção, de construir um romance familiar pode ser importante para uma criança conseguir se orientar no campo do gozo, deixando o gozo de lalangue. Os jogos com a língua de que todos desfrutamos, não os tomamos apenas na vertente da graça, mas na seriedade com que Lacan os toma quando aproxima, por exemplo, l’une bévue de Unbewusste (equivocação/inconsciente), marcando a importância da equivocação desde o título de seu seminário, L’insu que sait de l’une bevue. L’Insu que sait, o não sabido que sabe, que soa como o insucesso, o fracasso. Destacamos desse título a dimensão do inconsciente como equivocação. Não se trata aí de tradução, mas de apontar para o trabalho de redução a um signo no final de análise que já não está para ser decifrado, que não está para encontrar algo da ordem do sentido, mas que diz de um impossível.

O trabalho do sintoma
A época vitoriana em que viveu Lewis Carroll caracterizava-se pelos ditos moralizantes que tentavam regrar o gozo pela via do sentido. Carroll joga com a língua não de uma forma que é pura lalangue. Quando uma das meninas lhe pede para que conte uma história “sem pé nem cabeça” – puro gozo do sem sentido e, portanto, negação das diferenças, puro exercício do não querer saber nada disso –, ele conta uma história absolutamente referenciada.
Encontramos a sofisticação do trabalho com a língua que o aproxima de um Joyce, que o aproxima do trabalho do sintoma. Um dos exemplos disso está na simples troca de uma letra que estoura todo o sentido e a “moral da história”, mantendo a sonoridade/seriedade da composição. Este trabalho de cifração de sua obra não serve apenas para revelar a arbitrariedade do signo, mas assinala o buraco escamoteado no sentido, indica o real. Assim, quando troca o p pelo s na fórmula moral vigente na época, ele promove uma demolição do sentido corrente da linguagem, que faria sua aposta num universal para os falasseres. “Take care of de sense and the sounds will take care of themselves” no lugar de “take care of the pence and the pounds will take care of themselves” (traduzindo ao pé da letra o ditado diz: “cuide do centavo e o dinheiro cuidará de si mesmo” e Carroll, trocando uma única letra, produz: “cuide do sentido e o som cuidará de si mesmo”). Ele usa a própria palavra “sentido” (sense) para apontar logicamente a falha da fórmula vitoriana com uma graça impressionante e ainda fazendo com que o nonsense desvele algo estrutural na linguagem.
Nos dois livros de Alice, Carroll faz com que esses jogos ocupem grande parte da narrativa. Como no diálogo entre Alice e o rei branco: para ela ninguém está vindo pela estrada; para o Rei, Ninguém (isto é, alguém está vindo). Aliás, a questão da identidade é uma constante nos relatos de Alice.
Nestes jogos com a língua, o inconsciente joga com um buraco, uma abertura, mas por ser principalmente uma operação de linguagem, não fornece ao sujeito um campo de identidade. O sintoma sim, ao produzir um modo de gozar do inconsciente. O jogo do inconsciente seria mais um jogo de determinação, enquanto o jogo do sintoma se afasta um pouco disso ao jogar mais próximo da letra. Lacan destaca a importância de um jogo de articulações e diferenças, de conjunção e disjunção entre inconsciente e real.

Inconsciente: decifração versus equivocação
Lacan propõe o inconsciente não como mera produção (de lapsos, chistes, etc.), mas como pura equivocação, uma equivocação que o inconsciente produz antes que um sujeito lhe dê um sentido. O foco muda do campo do Outro e privilegia a dimensão do Um, da equivocação, dos azares, do acaso, por oposição à tendência determinista própria da operação do inconsciente ao produzir sentido, e mesmo vários. A questão não é a multiplicidade de sentidos, mas que essa possibilidade da multiplicidade revele algo do real, do impossível.
Assim, um pouco para nos divertir, um pouco para convidá-los a dar um passeio com os conceitos, e para que tiremos um excesso de importância que damos a eles, pois um passeio é um pouco criar um pequeno intervalo, vou trazer uma das pequenas história formuladas por Carroll:
“Era uma vez uma coincidência que saiu a passeio em companhia de um pequeno acidente. Enquanto passeavam encontraram uma explicação, uma velha explicação, tão velha que já estava toda encurvada e encarquilhada que mais parecia uma charada.”[5] Essa pequena história poderia se assemelhar a uma das idéias que temos do sintoma do qual passamos a nos queixar: essa charada/enigma, efeito do encarquilhamento de uma explicação velha e desgastada em seu encontro com uma coincidência e um pequeno acidente quando saíram para dar uma voltinha. Uma velha explicação com cara de charada, tal me pareceu uma ilustração divertida do trabalho do inconsciente como estamos acostumados em sua vertente de ciframento. A coincidência e o pequeno acidente apontando para o acaso, e o encontro como resultado dessa voltinha, o que revelaria as duas faces do inconsciente e sua afinidade com o sintoma, poeticamente orquestrado por Lewis Carroll.
Mas, sabemos que ter em mente os ensinamentos do passe apontam que visitar inúmeras vezes numa análise essa charada, ou esse enigma que esse nosso parceiro (o sintoma) se torna, faz com que ele mostre seu outro lado e finalmente revele algo da função do Unbewusste, quando se trata do inconsciente/equivocação e não do inconsciente decifração[6].

Sintoma e inconsciente: disjuntos e solidários
Em Lacan, primeiro o sintoma é tratado como uma formação do inconsciente, depois ele se desprende das formações do inconsciente para ligar-se à repetição, carregando a marca do pulsional. Lacan articula essa marca com a pulsação temporal do inconsciente, tal como o formula no Seminário 11. Um terceiro momento destaca a marca de gozo do sintoma.
Quais seriam então as formas de articulação entre sintoma e inconsciente na criança? Em quê e por que precisam jogar, por vezes, no mesmo campo? Em quê e por que será necessário marcar suas diferenças essenciais? Penso que essas questões podem começar a ser articuladas nos trabalhos ao nosso II Encontro da Nova Rede CEREDA, em novembro em São Paulo, para o qual convido a todos.

____________________
[4] Lacan, J. Seminário RSI. Lição de 18 de fevereiro de 1975. Inédito.
[5] Leite, S. Em: Alice no país das maravilhas. São Paulo: Summus, 1980, p. 26.
[6] Cf. Torres, M. El fracaso del inconsciente, amor al síntoma. Buenos Aires: Grama, 2008.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Luta contra a regulamentação da Psicanálise

Aqueles que se interessam sobre a luta contra a regulamentação da psicanálise, encontrarão no site da EBP, no link http://www.ebp.org.br/contra_regulamentacao.html , um texto de Samyra Assad e outros links referentes ao assunto.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Curso: Experiência Psicanalítica e Saúde Mental


Datas:27-28/08; 24-25/09; 22-23/10; 05-06/11
Periodicidade: mensal
Duração: 4 meses
Local: Sede do CEPP
Valor do curso: inscrição + 4 parcelas de R$ 150,00

Inscrições R$ 150,00
Aderentes terão 50% de desconto
Vagas limitadas

FICHA DE INSCRIÇÃO:

Curso: Experiência Psicanalítica e Saúde Mental




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( ) Membros e Aderentes
( ) Não Aderentes

Banco do Brasil
Agência: 4708-2
Conta Corrente: 7.671-6
Em nome de: Maria Lídia M. Noronha Pessoa

Enviar ficha de inscrição junto com fotocópia do comprovante de depósito para o e-mail: cepp.teresina@gmail.com

Observações: Serão aceitas somente inscrições com depósito bancário direto no caixa e concluída com o envio para o e-mail do CEPP, constando ficha de inscrição e comprovante de pagamento.

Valor do curso: inscrição + 4 parcelas de R$ 150,00


Vagas limitadas

segunda-feira, 7 de junho de 2010

"A invenção do delírio", in El saber delirante. Buenos Aires: Paidós, 2009. [Colección del Instituto Clínico de Buenos Aires]

Miller, Jacques-Alain.

Trata-se de uma conferência sobre o tema “Delírio e fenômeno elementar”, desenvolvida no Seminario-Coloquio de la Sección Clínica de Buenos Aires em 1995. Esta resenha recorta as principais articulações do autor que contemplam o tema do XVIII Encontro Brasileiro.

O delírio é um discurso articulado – esta fórmula pode ser depreendida do ensino de Lacan, segundo Miller. Por ser uma combinação de elementos, é possível destacar no conjunto do discurso delirante os elementos mínimos e primeiros que serviram de base para a construção, desenvolvimento e elaboração do delírio. Assim, o fenômeno elementar e o delírio são considerados como "elementos comuns a todo ser falante", e é uma maneira de generalizar o conceito de delírio. Como todo "eu" é delirante, "um delírio pode ser considerado como um realce do que cada um traz em si" (p.81), propondo a escrita deliryo, no idioma espanhol.

O binômio fenômeno elementar-delírio é aqui explorado, desde a lógica matemática, ao considerar os fenômenos elementares funcionando como axiomas de partida para o discurso demonstrativo, e desde a psiquiatria, quando Miller recupera De Clérambault e as articulações de Lacan sobre este binômio em vários momentos de seu ensino.

O delírio tem a mesma estrutura que o fenômeno elementar, como acontece com a folha em relação à planta: ela tem os mesmos traços de estrutura da planta a que ela pertence. Esta metáfora é utilizada por Lacan no texto "A direção do tratamento e os princípios de seu poder" (Escritos). Ao analisar o sonho da "Bela Açougueira", ele demonstra que este sonho, de uma histérica, é capaz de indicar "toda a planta da histeria", ou seja, o conjunto da neurose está presente numa formação do inconsciente, num único elemento. Então, a formação do inconsciente está para a neurose como o fenômeno elementar está para a psicose. É possível apropriar-se da estrutura mediante uma boa extração de um fragmento.

"O fenômeno elementar está estruturado e sua estrutura é a da linguagem, tal como a do delírio. Em geral, se pode dizer que o delírio é um fenômeno elementar e que o fenômeno elementar é um delírio, já que ambos estão estruturados como uma linguagem." (p.88)

Seguindo Lacan, Miller aproxima mais um binômio: alucinação-interpretação. Apesar das diferenças fenomenológicas, pelo viés da estrutura da linguagem, uma alucinação verbal responde a esta mesma estrutura; por isso, nesse nível, a diferença pouco importaria, uma vez que a estrutura de linguagem está presente tanto na alucinação como na interpretação. No texto “Resposta ao comentário de Jean Hyppolite sobre a ‘Verneinung’ de Freud” (Escritos), Lacan sustenta, num outro nível, a distinção entre elas com os exemplos do Homem dos Lobos e do Homem dos Miolos Frescos: no primeiro, a falta de um significante na estrutura do sujeito faz com que o foracluído retorne no real, enquanto que, no segundo, um exemplo de acting out, a falta de um significante na interpretação do analista faz com que surja na conduta do sujeito aquilo que ele não pode entender, “a recusa de uma relação oral não simbolizada que retorna como se fosse uma alucinação” (p.89). Miller, cuidadosamente, conclui: “quase podemos supor que há uma foraclusão”.

Penso que estes exemplos generalizam a foraclusão, que em cada caso, em princípio, seria possível identificar o foracluído, porque em algum nível ele retorna. A título de observação, remeto ao próprio Miller em seu Seminário Los signos del goce (1986-1987), pois lá ele também trabalha estes dois exemplos, junto com Schreber, depois de propor a foraclusão generalizada, nome do capítulo XXII, localizando em cada caso o que está foracluído e de que maneira acontece este retorno.

Para concluir, a formulação de que todo saber é delírio e que todo delírio é um saber, é baseada na concepção do significante. S1 é sempre elementar, ou seja, “não sabe o que significa”, sua significação somente pode surgir com S2, interpretando-o. “Escutando repetir o que afirma Lacan sobre o interessante da invenção de saber, o psicótico se apresentaria como o delirante que não retrocede diante da elaboração de saber, com o elemento de delírio que sempre há nesta invenção” (p.94). O neurótico tem em si o S2 de que necessita, ele sabe o que dizer. “Por que não traduzir desta forma a foraclusão do Nome do Pai, a foraclusão deste S2 que permite ao neurótico decifrar tudo sem perplexidade?” (p.96)

Carmen Silvia Cervelatti
AMP-EBP (SP)


XVIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano
O sintoma na clínica do delírio generalizado

terça-feira, 1 de junho de 2010

Loucura ou Perversão?

Claudia Figaro-Garcia, Correspondente da EBP-SP

Biagi-Chai, ao relatar a história de Henri-Desirée Landru, que assassinou dez mulheres e um jovem e incinerou seus corpos em uma fornalha de sua casa de campo, na França, no final do século XIX, provoca uma discussão: seria essa uma psicose ou uma perversão? De acordo com o livro, Landru não sabia qual era seu lugar na família, e este teria sido o gatilho para o desencadeamento dos atos criminosos. Biagi-Chai comenta que em sua megalomania havia separação entre ação e ambição. Tem-se início a sua máscara social. Sempre foi visto como responsável e bom pai. Mas é justamente a confusão que Landru faz entre o que é ser Patriarca e não Pai que inicia os sintomas, os quais caracterizam mais uma psicose do que uma perversão. Ao se colocar como Patriarca, posiciona-se como alguém que não vacila, que não apresenta furos ou imperfeições — assim, com a função paterna excedida, o sujeito se torna ele próprio a lei. A concepção delirante de família produz uma missão psicótica — sustento da família — de extrema responsabilidade, cuja lógica conduzirá Landru ao ato criminoso. A megalomania aumenta, assim como a indiferença pelo a’.

Para a autora, a família é como um trabalho para Landru, um significante privado de sua função de ideal, privado de realidade. Família define um dever, um dever com significação privada. A lei pessoal de Dever é seu delírio. Apresentava-se como “comerciante de móveis”, para viúvas, solteiras, mulheres sem família e com dote. Na opinião de Lacan, no filme Monsieur Verdoux, estrelado por Charles Chaplin em 1947, e que se baseou na história de Landru, o personagem selecionava as vítimas. Sua esposa e a amante Fernande pertenciam ao grupo vital. Esta, única a não ser assassinada por ele, além de não querer um marido provedor, mantinha uma relação muito forte com a mãe. As mulheres assassinadas integravam o grupo funcional, as mulheres de que necessitava. O dinheiro que estas deixaram garantirá o sustento da família de Landru.

A mãe de Landru parecia seu único ponto de apoio, estabelecendo-se assim a matriz da identificação imaginária de sua psicose: mãe sem falhas, como a amante. No julgamento, Landru nega tudo e seu discurso frio não demonstrava arrependimento. Foi avaliado por psiquiatras que não diagnosticaram psicose, atribuindo-lhe responsabilidade pelos crimes. Todavia, a certeza delirante, a necessidade de não ter falhas levaram Landru ao ato criminoso. Para a autora, ele avança em um Real sem véu, encarnando a lei. Seus significantes mestres não se articulavam a um saber, não passavam pelo desejo. Respondiam a um postulado delirante: sustentar a família. Na perversão, os criminosos sexuais gozam com o sofrimento do outro, pois driblam o Nome-do-Pai. O que impera é a Lei pessoal. Talvez isso, ter uma lei pessoal, seja algo que aproxime a psicose e a perversão, provocando uma confusão que dificulta um diagnóstico diferencial.



XVIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano
O sintoma na clínica do delírio generalizado